terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Feliz Natal!!!!

CARTA DE UM PAI AO FILHO


Amado Filho,
o dia em que este velho já não for o mesmo,
tenha paciência e me compreenda.

Quando eu derramar comida sobre minha camisa e esquecer
como amarrar meus sapatos,
tenha paciência comigo e lembre das horas que passei te ensinando
a fazer as mesmas coisas.

Se quando conversa comigo,
repito e repito as mesmas palavras e sabes de sobra como terminha,
não me interrompas e me escute.
Quando era pequeno, para que dormisse,
tive que contar-lhe milhares de vezes a mesma estória até que
fechasse os olhinhos.

Quando estivermos reunidos e, sem querer,
fizer minhas necessidades,
não fique com vergonha e compreenda que não tenho culpa disto,
pois já não posso controlar.
Pensa quantas vezes quando menino te ajudei e estive pacientemente
a seu lado esperando que terminasse o que estava fazendo.

Não me reproves porque não queira tomar banho;
não me chames atenção por isto.
Lembre-se dos momentos que te persegui e os mil pretextos que tive que
inventar para tornar mais agradável o seu banho.

Quando me vejas inútil e ignorante na frente de todas as coisas tecnológicas
que já não poderei entender,
te suplico que me dê todo o tempo que seja necessário para não me machucar
com o seu sorriso sarcástico.
Lembre-se que fui eu quem te ensinou tantas coisas.
Comer, se vestir e como enfrentar a vida tão bem como o faz,
são produtos de meu esforço e perseverança.

Quando em algum momento,
enquanto conversarmos,
eu chegue a esquecer do que estávamos falando,
me dê todo o tempo que seja necessário até que eu me lembre,
e se não posso fazê-lo não fique impaciente;
talvez não fosse importante o que falava e a única coisa que queria
era estar contigo e que me escutasse nesse momento.

Quando minhas pernas falharem por estarem cansadas para andar,
dá-me sua mão terna para me apoiar,
como eu fiz quando começou a caminhar com suas fracas perninhas.

Por último,
quando algum dia me ouvir dizer que já não quero viver e só quero morrer,
não te enfades.
Algum dia entenderas que isto não tem a ver com seu
carinho ou o quanto de amei.


Trate de compreender que já não vivo,
senão sobrevivo,
e isto não é viver.

Sempre quis o melhor para você e preparei os caminhos que deve percorrer.
Então pense que com este passo que adianto a dar,
estarei construindo para você outra rota em outro tempo,
porém sempre contigo.

Não se sinta triste, enojado ou impotente por me ver assim.
Dá-me seu coração,
compreenda-me e me apóie como fiz quando começaste a viver.
Da mesma maneira que te acompanhei em seu caminho,
te peço que me acompanhe para terminar o meu.

Dê-me amor e paciência,
que devolverei gratidão e sorrisos com o imenso amor
que tenho por você.


Atenciosamente,

Teu Velho.


(Texto para reflexão)


Arnaldo Batista de Oliveira

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